Entenda a relação entre qualidade de vida e saúde mental e dicas para dias melhores
- Alcir Tonoli

- 18 de fev. de 2020
- 5 min de leitura
Qualidade de vida e saúde mental são temas frequentes em programas de televisão e artigos na internet, muitas vezes oferecendo receitas quase milagrosas para uma vida melhor. Mas você realmente sabe do que se trata?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a quantidade de casos de depressão cresceu 18% em dez anos e, até 2020, será a doença mais incapacitante do planeta.
No Brasil, quase 6% da população, um total de 11,5 milhões de pessoas, sofrem com depressão.
Ainda segundo dados da OMS, o país tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno.
Mas, por que cada vez mais pessoas estão adoecendo mentalmente? Afinal, como a qualidade de vida dos indivíduos determina sua saúde mental?
Acompanhe o artigo e conheça em detalhes essa importante relação e como ela impacta a sua realidade!
O que é saúde mental?
Saúde mental é muito mais do que ausência de doença mental, é a capacidade de equilibrar e gerenciar suas suas emoções, mesmo em meio às surpresas e exigências da vida.
De acordo com a OMS, um indivíduo com saúde mental é dotado de um “bem-estar” que o permite usar plenamente suas habilidades e ser produtivo, recuperar-se do estresse cotidiano e contribuir com a sua comunidade.
Todas as pessoas no mundo vivenciam diariamente emoções como alegria, amor, satisfação, tristeza, raiva e frustração.
A diferença é que quem é mentalmente saudável compreende que todos esses sentimentos, sejam bons ou ruins, fazem parte do que a vida é.
Essas pessoas procuram lidar com essas emoções da melhor maneira possível, harmonizando seus desejos, capacidades e frustrações e respeitando os próprios limites e os do outro.
Elas também são capazes de procurar ajuda quando têm dificuldade em lidar com conflitos, perturbações, traumas ou transições importantes nos diferentes ciclos da vida.
Resumindo, ter saúde mental é:
estar bem consigo e com os outros, aceitar as exigências da vida, saber lidar com as boas e más emoções, reconhecer seus limites e os do outro, buscar ajuda quando necessário.
Veja algumas dicas sobre como ter saúde mental e se livrar do estresse e da ansiedade no vídeo:
O que é qualidade de vida?
A OMS define qualidade de vida como a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores em que vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.
É um conceito abrangente, afetado de maneira complexa pela saúde física da pessoa, estado psicológico, crenças pessoais, relações sociais e seu relacionamento com características importantes de seu ambiente.
Os fatores que desempenham um importante papel na qualidade de vida geralmente incluem:
segurança financeira, satisfação no trabalho, vida familiar, saúde e segurança.
Esses aspectos acabam se entrelaçando e, por isso, para se obter qualidade de vida, o ideal é que estejam equilibrados.
Muitos profissionais optam por aceitar trabalhos bem remunerados, que exigem horas prolongadas de dedicação, a fim de obter segurança financeira.
Porém, isso limita suas horas disponíveis para lazer, férias, para passar tempo com quem gostam e essa falta de descanso acaba afetando sua saúde mental e até menos física.
Casos assim são comuns em uma sociedade cada vez mais competitiva. Porém, em contrapartida, novos modelos de trabalho que levam em conta o bem-estar de quem os realiza também têm surgido, como mostra o vídeo abaixo:
Já em outros casos, o trabalho não demanda tanto tempo, mas o deixa estressado ou lesado ao ponto de ser incapaz de desfrutar de seus ganhos. Alguns exemplos dessas situações são:
Trabalhos que podem expor os funcionários a riscos potenciais, como produtos químicos nocivos, máquinas pesadas e alto risco de queda ou outra lesão. Serviços que exponham o trabalhador a situações de assédio moral, levando-o à depressão e outros transtornos mentais.
Por isso, a possibilidade de danos que poderiam afetar seu bem estar, contra a obtenção de um salário mais alto, deveria pesar na escolha de quem deseja qualidade de vida.
Outro problema é para quem vive longe dos centros de emprego, ou seja, em áreas periféricas onde é mais barato morar.
Essas pessoas gastam muito tempo se locomovendo até o trabalho e isso acaba restringindo os momentos de descanso passados com a família ou nos hobbies, gerando mais estresse.
Essas áreas também tendem a estar mais afastadas da arte, cultura e entretenimento e, além disso, geralmente têm altos índices de violência e pouco acesso a serviços básicos como de saneamento e saúde.
Ou seja, um clássico problema que envolve todos os aspectos determinantes do que é necessário para se obter qualidade de vida.
Entenda melhor a relação entre periferização e qualidade de vida no vídeo do Canal Futura:
Afinal, qual a relação entre qualidade de vida e saúde mental?
Por suas definições, fica fácil concluir que qualidade de vida e saúde mental estão interligadas.
Aquela pessoa que não tem possibilidade de se recuperar do estresse cotidiano, seja por falta de tempo ou de acesso a vários outros fatores ligados à qualidade de vida, provavelmente vai ter a sua saúde mental afetada.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a OMS, para um indivíduo ter saúde mental, é fundamental um ambiente que ofereça qualidade de vida, respeitando e protegendo seus direitos básicos civis, políticos, socioeconômicos e culturais.
Com isso, uma saúde mental prejudicada geralmente está associada a fatores como:
rápidas mudanças sociais, condições de trabalho estressantes, discriminação de gênero, exclusão social, estilo de vida não saudável, risco de violência, problemas físicos de saúde e violação dos direitos humanos.
Portanto, a promoção da saúde mental envolve ações que permitam às pessoas adotar e manter estilos de vida que priorizem seu bem-estar, ou seja, quando há qualidade de vida.
Qualidade de vida e saúde mental x saúde física
A qualidade de vida, à medida que afeta a saúde mental dos indivíduos, também influencia em sua saúde física, como mostram diversas pesquisas.
Um estudo da University College London, Edinburgh University e da Universidade de Sydney descobriu uma ligação entre altos níveis de sofrimento mental e um risco aumentado de morte por câncer.
Uma outra pesquisa, dessa vez do The National Institute of Mental Health, revelou uma conexão entre depressão e diabetes. O estudo mostrou que pessoas que têm depressão e diabetes tendem a apresentar sintomas mais graves do que aquelas que têm apenas diabetes.
Ainda um outro estudo revelou que aqueles com ambas as condições, transtornos mentais e diabetes, também tinham 85% mais chances de sofrer um ataque cardíaco.
Saiba mais sobre qualidade de vida e como ela afeta a saúde em geral nessa entrevista do Dr. Dráuzio Varella:
O que fazer para ter mais qualidade de vida e saúde mental?
Como foi observado ao longo do artigo, uma vida saudável e com qualidade requer o equilíbrio entre mente, corpo e vários outros setores importantes, como trabalho, família, sociedade etc.
Para conseguir esse equilíbrio é importante manter sentimentos positivos consigo, com os outros e com a vida, aceitando-se e aceitando as outras pessoas com suas qualidades e limitações.
Você pode fazer muitas coisas para ajudar a manter-se mentalmente saudável, melhorar sua forma de encarar a vida e sua convivência com as pessoas que fazem parte dela.
Confira algumas das nossas dicas para ter mais qualidade de vida e saúde mental:
1) Durma bem (dentro das suas possibilidades)
A falta de noites bem dormidas pode levar a transtornos como ansiedade e depressão. Isso acontece porque o sono ajuda a regular substâncias em nosso cérebro responsáveis por gerenciar nossos humores e emoções.
Ou seja, em prol de sua saúde mental, tente ter pelo menos 6 horas restauradoras de sono.
2) Mantenha uma dieta nutritiva
Comer bem não é importante para o corpo e para a mente. Certas deficiências de minerais, como ferro e vitamina B12, por exemplo, podem nos deixar de mau humor.
Portanto, tente comer corretamente, dando preferência a alimentos nutritivos como legumes, verduras, frutas, fontes magras de proteína e evite frituras, fast foods etc.
Também é importante se hidratar, ingerindo bastante líquido, principalmente água e sucos naturais sem adição de açúcar.
Além disso, se você é uma pessoa particularmente estressada ou ansiosa, tente limitar ou eliminar a cafeína, pois isso pode fazer você se sentir nervoso.


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